A SURDEZ E A LINGUAGEM: PERTINÊNCIAS DA HISTÓRIA ACERCA DA EDUCAÇÃO ESCOLAR
A educação escolar tem passado por diferentes momentos que perpassam a inclusão de pessoas surdas e a prática do AEE e do ensino comum. Vem carregada de implicações e percorre caminhos que pontuam a complexidade que as pessoas com surdez (PS), enfrentaram e enfrentam perante a sociedade, surgem às dicotomias que sofrem pressões exercidas pela sociedade, que concernem no que é surdo e ouvinte, oralistas e gestualistas, língua oral e língua de sinais, no ser deficiente e no diferente, no normal e no anormal. Os debates transcorrem a história da educação escolar para as PS, como verdadeiras batalhas as quais objetivavam a afirmação de sua identidade, da sua língua. Foram várias perspectivas, religiosa, social, filosófica, curadora, sendo ainda consideradas como pessoas incapazes, limitadas, submissas e que não tinham nenhuma autoridade sobre si.
Surgem o gestualismo e o oralismo que eram voltados para a língua em si, prejudicando assim, o desenvolvimento das PS. No Congresso de Milão que tinha o comitê formado unicamente por ouvintes, a votação foi favorável ao oralismo que era considerado como o único caminho linguístico na educação, ressaltando o uso da voz e da leitura labial dentro e fora da escola, mas esta prática foi um fracasso. De acordo com Sá (1999).
“ocasiona déficits cognitivos, legitima a manutenção do fracasso escolar, provocam dificuldades no relacionamento familiar, não aceita o uso da Língua de Sinais, discrimina a cultura surda e nega a diferença entre surdos e ouvintes.”
Houve também a comunicação total, que no decorrer, passou a chamar-se comunicação bimodal, utilizando a fala e os sinais concomitantemente. As práticas pedagógicas precisam ser repaginadas e aplicadas com qualidade e eficácia, motivando a PS com segurança, para isto, há a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva que disponibiliza o Atendimento Educacional Especializado (AEE) que visa à autonomia e a independência em todos os âmbitos, dentro e fora da escola.
Nossa intenção é interpretar a pessoa com surdez, à luz do pensamento pós-moderno, como ser humano descentrado, por acreditar no corpo biológico, não em sua parte com a deficiência, mas nas outras, que dão à pessoa potencialidade; além de considerar que esse ser não é no todo surdo, mas há uma parte com surdez, que neurobiologicamente, o limita, mas que, em contrapartida, o possibilita e potencializa ao desenvolvimento dos processos neurossensorial-perceptivos..., (Hall, 2006.p.48).
A lei obriga uma educação bilíngue, envolvendo o ensino da Libras e da Língua Portuguesa no mesmo ambiente educacional, onde a Libras é a primeira língua para a PS e a Língua Portuguesa como a segunda preferencialmente na modalidade escrita. Surgem os três momentos didático-pedagógicos do AEE: AEE de Libras é realizado em horário contrário aos das aulas da sala de aula comum por um professor e/ou instrutor de libras, preferencialmente surdo, utiliza muitas imagens e o professor faz, avaliações periodicamente para a verificação da aprendizagem dos alunos em relação a Libras, utilizando ficha de registro do desenvolvimento dos alunos. O AEE em Libras é diário, e em horário contrário aos da sala de aula comum, utiliza-se imagens, teatro, a fim de associar melhor o trabalhado da sala de aula comum. O AEE para o ensino de Língua Portuguesa traz uma proposta didático-pedagógica e metodológica para se ensinar Português escrito (PE) para a PS, favorecendo interação e uso nas práticas sociais. O professor é preferencialmente formado em Língua Portuguesa. Este atendimento tem o objetivo de desenvolver a competência linguística, bem como textual nas PS.
A Libras e a Língua Portuguesa são duas línguas de estruturas linguísticas diferentes e os atendimentos fazem-se necessários à inclusão escolar da PS.
Referência:
_________DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010.
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